Manda quem pode, obedece quem acredita

Dia desses recebi um formulário de entrevista com perguntas bem interessantes, mas uma delas chamou mais a minha atenção – não só pela curiosa atitude de ser inclusa em um questionário de emprego, como pelo seu sutil potencial para a discussão.

Você prefere:
(  ) Receber ordens
(  ) Dar ordens

Nem precisei pensar. Logo abaixo das alternativas não preenchidas, escrevi: “Nenhum dos dois”. Explicar minha resposta foi igualmente fácil porque, se tem uma coisa de que gosto, é estudar e entender modelos de liderança.

A verdade é que não só já li bastante sobre o assunto como pessoalmente não acredito num sistema de gestão baseado no poder formal. Não em um mundo que vem abrindo cada vez mais espaço para a autoridade compartilhada, horizontal, que já entendeu que todos os integrantes de uma equipe têm papel estratégico.

Não acredito no poder formal, e sim na autoridade conquistada, exercida com diálogo e negociação.

Isso não significa que não devam existir lideranças – ao contrário, elas são fundamentais para conduzir equipes a um objetivo comum, ajudando todos a enxergarem os fins com clareza e disponibilizando meios para que possam chegar lá. Mas essa autoridade deveria ser conquistada com diálogo e negociação, e nunca na forma de “mandado” – principalmente quando se fala com Millennials, uma geração essencialmente questionadora, dotada de um senso de direito e mentalidade cívica que não a deixam engolir qualquer sapo sem o tempero de uma argumentação convincente, baseada no bem comum.

Calvin & Haroldo

Como parece fácil falar, deixo aqui registrado um compromisso: caso um dia tenha a oportunidade, por favor, pode esfregar na minha cara este texto se me vir simplesmente ~mandando~ em alguém. E, se existe uma chance de você ser meu futuro chefe, pense duas vezes se está disposto a contratar alguém que ao invés de receber ou dar ordens prefere, no melhor dos sentidos, dar muito trabalho.

Atualização:
Aproveitando o assunto, olha que interessante esse infoposter que analisa o senso de inovação entre Millennials do mundo todo.

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