Com prazer é mais barato

Fiquei surpreso com a citação da capa na revista Super de janeiro, deixando no ar que trabalhar com o que se ama não é um bom conselho a se seguir. Fui lá e pá. Baixei a edição virtual pra tirar a limpo esse negócio. E vi que, contrariando o famoso discurso stevejobiano de Stanford, a edição trazia a visão do autor do livro So good they can’t ignore you, dizendo que para a maioria das pessoas este conselho não tem valor, já que nem todo mundo tem talento pra fazer o que curte – e que mesmo a profissão dos sonhos tem seus monolitos no sapato.

“O início de uma carreira fantástica pode não parecer nada fantástico.”

Cal Newport

Como bom taurino impertinente que sou, li, ruminei e discordei. Em parte. Eu explico: ao invés de cara-de-comunicação, meu sonho de infância na verdade era ser paleontólogo (e basta ler as três primeiras linhas deste link pra entender porque não fui adiante). Sim, no começo o que eu queria era desenterrar ossos. Até que chegou lá em casa o nosso primeiro computador: e com ele a internet, a informação, as referências e o Paint Brush.

Aí eu vi que nem só de tiranossauros vive o homem, e fui devorando baite por baite. Primeiro do design gráfico, depois a redação publicitária, planejamento estratégico, comunicação dirigida, marketing de guerrilha, mídias sociais (e ainda tô com fome). Mas não que eu tenha aberto mão do que amava – não me vendi por um trabalho que daria dinheiro versus realização pessoal, não fiz uma escolha dilemática e dolorosa. Apenas descobri que a gente pode amar muito mais do que a primeira escolha.

E que portanto, sim, dá pra trabalhar com o que se ama, dá pra unir o útil ao agradável, dá pra seguir aquele “conselho bobo”. Não que o prazer vá substituir a rentabilidade, mas pode ser um barato quando a gente consegue juntar os dois. Nunca esquecendo que nem tudo são flores, mas que podemos tirar boas lições dos espinhos que nos espetam no calcanhar do expediente. E que um pouco de sabedoria proverbial não faz mal a ninguém.

“Escolhe um trabalho de que gostes, e não terás que trabalhar nem um dia na tua vida.”

Confúcio

Anúncios